por Liliana Peixinho

Uma nova ordem mundial está colocada para cada cidadão, planeta Terra adentro e afora. O desafio é a garantia da vida em harmonia, com qualidade, prazer, alegria, desejo de querer fazer, não porque alguém nos manda, ordena, impõe. Mas porque sabemos ser necessário, importante, no papel social de cada um, em casa, no trabalho, na escola, no lazer. Nesse contexto, como pessoas, cidadãos, empresas, ONGs, movimentos, enfim, cada um de nós, se insere, se percebe, se afirma, para tentar garantir a preservação da vida em harmonia neste planetinha em eterna transformação?

As novas possibilidades econômicas abrem espaço para a construção de paradigmas como o da cidadania sustentável. Essa oportunidade está diretamente linkada com a mudança de comportamento para novas atitudes sobre consumo consciente, comércio justo, produto limpo, desperdício zero, cultura dos Rs (racionalizar, reutilizar, reduzir, reaproveitar, recriar, reinventar e reciclar), por meio da participação social proativa, voltada para uma nova “economia circular”, dinâmica, dialética, no ritmo do universo, rápido e harmônico.

Numa crise de desemprego, como a que estamos a enfrentar agora, é importante o acesso a informações claras, contextualizadas com a realidade de uma crise estrutural, com o olhar integrado, multifacetado e atento à necessidade de construção de cadeias produtivas sustentáveis, ponta a ponta. Planejamento, aplicação de políticas de desenvolvimento humano, com equidade, compromisso, justiça social e equilíbrio ambiental são fases importantes para qualquer ação do presente, para garantia do futuro.

O comércio, a propaganda, as formas de produção continuam sendo oferecidas para atender demandas de consumo incentivadas por uma publicidade ainda desatenta às adaptações a um novo ambiente, que indica limites no uso dos recursos naturais. A sustentabilidade ainda é um discurso bem distante da prática. Precisamos reconstruir estratégias com flexibilidade, resgate de valores perdidos, acesso a oportunidades para a redução das desigualdades, defesa da justiça social, garantia de moradia digna, saúde integral , educação continuada, liberdade de expressão e qualidade da informação. Temas que continuam na pauta diária.

Aliar responsabilidade social ao desenvolvimento sustentável não se alcança fazendo propaganda enganosa. Dizendo, divulgando que faz, sem realmente colocar em prática. Observamos que o marketing empresarial, institucional difunde para o mundo, em sites, blogs, peças publicitárias e ferramentas as mais variadas e acessíveis no mercado publicitário, informações no mínimo duvidosas, para não dizer criminosas.

Recebemos recados claros da natureza como um alerta para a adoção de novas atitudes e desafios no fazer, pensar e agir. As crises econômica, política e social são sinais da necessidade de mudança do que não deu certo, como o consumo voraz, o desperdício e o egoísmo; para novas atitudes, de consumo consciente, com desenvolvimento limpo e crescimento só do que é bom e importante para a vida. Aumento de estresse, violência, corrupção, engarrafamento, fome, sede, miséria e outros indicadores sobre a qualidade da vida não compensa as estratégias polticas governamentais para visibilidade mundial a qualquer custo.

Seria bom pararmos de fazer de conta que fazemos para fazermos direito, com vontade que venha da alma, do coração e do cérebro, em harmonia com os sentidos da vida bem vivida.

Liliana Peixinho é jornalista, professora universitária e colaboradora da Envolverde.

Fonte: Envolverde

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