dali

Por David Brower

Tomemos os seis dias da semana para representar o que de fato se passou em cinco bilhões de anos. O nosso planeta nasceu numa segunda-feira, a zero hora. A Terra formou-se na segunda, terça e quarta-feira até o meio-dia. A vida começa quarta-feira ao meio-dia e desenvolve-se em toda sua beleza orgânica durante os quatro dias seguintes.

Somente às quatro da tarde de domingo é que os grandes répteis aparecem. Cinco horas mais tarde, às nove da noite, quando as sequóias brotam da terra, os grandes répteis desaparecem.

O homem surge só três minutos antes da meia-noite de domingo. A um quarto de segundo antes da meia-noite, Cristo nasce. A um quadragésimo de segundo antes da meia-noite inicia-se a Revolução Industrial. Agora é meia-noite de domingo e estamos rodeados por pessoas que acreditam que aquilo que fazem há um quadragésimo de segundo pode durar indefinidamente.

 

Por Isaac Edington

Já avançamos muito em cobrar atitudes das empresas sobre assuntos relacionados à responsabilidade socioambiental. Por essa razão, nós, consumidores e antes de tudo cidadãos, temos sido beneficiados pelo fato de grandes, médias e até pequenas empresas estarem atuando de forma responsável nos mais variados setores econômicos. E os times de futebol?

futebol sustentabilidadeBom, em termos globais, a Uefa (órgão que administra o futebol europeu), por exemplo, investe e desenvolve diversos programas sociais; a Fifa iniciou em  2005 o movimento Football for Hope e vem apoiando desde então, no mundo inteiro, programas que combinam futebol e desenvolvimento social. Times europeus também. O Chelsea da Inglaterra, que possui uma atuante fundação, recentemente anunciou investimentos comunitários no outro lado do planeta, no bairro do Harlem, em Nova York. A Barcelona Foundation, controlada pelo time do craque Messi, se uniu à Fundação Bill & Melinda Gates na luta contra o pólio, exemplos entre tantos pelo mundo.

E os times no Brasil? Resposta: no país do futebol, os times ainda engatinham nessa questão. Justiça aos passos que o Corinthians vem dando, publicando  inclusive relatórios de sustentabilidade, atitude raríssima no setor, o que  já indica um esforço do clube em buscar transparência e mesmo ética na relação com seus públicos de interesse. O Internacional de Porto Alegre, que também tem realizado projetos próprios em parcerias com instituições, são exemplos quase que solitários no vasto cenário dos times brasileiros que fazem muito pouco em termos de responsabilidade social. Muito pouco, principalmente se falarmos da grande influência que o futebol exerce na sociedade brasileira, nas multidões que o mesmo consegue reunir e na relevante movimentação econômica direta e indireta ligada ao esporte maior da pátria das chuteiras de Nelson Rodrigues.

E o seu time? Ah, essa eu não vou responder, leitor/torcedor. Você é que deve responder, afinal, você conhece muito bem o seu time. Portanto, responda as seguintes perguntas: O seu time tem realizado projetos/iniciativas relevantes de contribuição social ou ambiental? O seu time tem apoiado com frequência projetos ou causas de interesse da sociedade? É comum o seu time mobilizar os torcedores para engajamento em benefício de causas socioambientais? O seu time tem um programa estruturado de responsabilidade socioambiental? O seu time possui na sua estrutura de gestão alguém que cuida da área socioambiental? O seu time preza pela transparência na aplicação dos recursos? O seu time tem feito algo pela sua cidade? Fazendo essas perguntas com relação ao seu time, você mesmo irá tirar as suas próprias conclusões.

A questão é: o que você irá fazer em seguida? Se as respostas forem satisfatórias e seu time estiver trilhando caminhos que apontem na direção de uma atuação socialmente responsável, sugiro que você aplauda, apoie, encoraje e, ao mesmo tempo, acompanhe para que continue no rumo. Se você achar que a atuação do seu time deixa a desejar, é hora de começar a cobrar dele uma mudança de atitude. Tenha certeza de que será muito bom para o seu time e melhor ainda para sociedade. E você, torcedor, terá um motivo a mais para se orgulhar do seu time do coração. Um recado para os dirigentes de clubes baianos: a Bahia possui um verdadeiro “time” de profissionais e organizações que podem ajudar muito às equipes de futebol rumo a uma atuação socialmente responsável consistente. Procurem esse time.

Fonte: Revista Exame

sustentabilidade

Por  Luiz Antônio Gaulia

Quanto mais as marcas são reconhecidas e admiradas, maior é a decepção quando uma crise fulminante acontece. Uma crise que atinge a credibilidade e causa estragos na imagem institucional e impacta na confiança na qualidade dos produtos e serviços.

Muitos líderes e gurus da administração já falaram sobre o valor de uma reputação e o preço a pagar quando não só um nome rola escada abaixo, mas toda uma proposta de valor e de gestão fica desacreditada. Podemos dizer que são as leis do mercado funcionando de forma selvagem: enquanto os pontos fortes são destacados, tudo bem! A festa continua gerando expectativas de ganhos futuros e as apostas vão acontecendo. Contudo, quando as coisas vão de mal a pior, o saque na conta corrente da confiança corre depressa demais.
Isso pode acontecer com uma empresa, um produto, um serviço, uma celebridade, um atleta, uma ONG e com os governos e os políticos. Num mundo de marcas que competem não só pela preferência de seus consumidores, mas disputam a admiração de toda a rede de stakeholders, a melhor vacina contra a descrença e a subtração do valor de uma marca é a sustentabilidade. O ponto forte da solidez de um nome tem que ter base numa cultura que se move na direção da sustentabilidade.
Por isso, já não é novidade falarmos em “sustainable branding” ou sustentabilidade da marca. Um compromisso verdadeiro com a responsabilidade ambiental, social, econômica e na governança corporativa capaz de gerar valor compartilhado e de longo prazo. Através não só da comunicação em torno do nome, da marca e seus projetos, suas ofertas e preços promocionais de forma usual, mas de processos administrativos, modelos de aprendizagem, crenças e exemplos. Uma gestão baseada numa cultura que pensa, dialoga, planeja e age de forma sustentável seguindo uma conduta ética, estética e técnica entregando as promessas da sua marca em cada vínculo de sua rede de relações. Simples e complexo. Óbvio e extremamente valioso.
Se o branding se alimenta de uma cultura e uma gestão baseada na busca da sustentabilidade a marca vai ganhar prestígio, valor e confiança. Reconhecidos pelo mercado, assim como pela opinião pública. Os bons exemplos estão nos jornais nos setores de educação superior, de mineração, química verde, cosmética e beleza, máquinas e equipamentos eletrônicos e também de serviços. E eu nem precisei escrever aqui o nome dessas marcas, pois você mesmo (a) leitor (a) já se lembrou de cada uma delas, não é mesmo?
Fonte: Aberje
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compra_sustentavel

Entre os brasileiros, 72% estão atentos a questões ligadas à sustentabilidade na hora de comprar um produto. Uma pesquisa da eCGlobal Solutions ouviu consumidores de todo o país para entender como o tema impacta no consumo das pessoas. Entre os entrevistados, 98% se dizem preocupados com assuntos relacionados ao meio ambiente e 90% das pessoas dizem usar produtos apenas que atendam a padrões sustentáveis.  “Não é só pela questão do discurso ser politicamente correto. No momento da compra, o usuário se mostra preocupado e toma a decisão com base na sustentabilidade. As pessoas estão realmente preocupadas e mais conscientes em relação ao seu papel enquanto consumidoras”, explica Adriana Rocha, CEO da eCGlobal Solutions.

Assista o vídeo no link http://www.mundodomarketing.com.br/ultimas-noticias/27960/72-das-pessoas-estao-atentas-a-sustentabilidade-na-hora-da-compra.html

Fonte: Bruno Garcia, do Mundo do Marketing

 

 

 

 

 Greener apresenta case de projeto desenvolvido para STIHL no Seminário de Meio Ambiente promovido pelo Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico e Eletrônico de São Leopoldo (Sindimetal), realizado entre os dias (6 e 7 de junho) no auditório da entidade.

sindimetal_meioambiente

O evento contou com a gerente de Saúde Segurança e Meio Ambiente da STIHL (SSMA) e coordenadora do Comitê SSMA do Sindimetal, Ana Curia, que participou de mesa redonda juntamente com representantes da Prefeitura Municipal de São Leopoldo, Greener e Veirano Advogados sobre a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Foram apresentados três projetos socioambientais da empresa.

Um deles o projeto desenvolvido pela Greener, Agência de Inovação SocioAmbiental, de customização de EPIs, que consiste em confeccionar quatro produtos (necessaire, estojo, niqueleira e almofada) a partir de resíduos de uniformes, luvas de borracha, raspa de couro e malha da STIHL. Realizado em parceria com o Centro de Espiritualidade Padre Arturo, o projeto proporcionou inclusão social através de oficina técnica de costura e renda para moradoras da comunidade do Arroio da Manteiga em São Leopoldo.

Outro projeto socioambiental da STIHL é a recuperação de pallets, realizada em parceria com a Univale – cooperativa composta por 15 associados da comunidade de São Leopoldo. Os cooperados recebem os pallets vindos das embalagens das matérias primas utilizadas pela STIHL e recuperam o material para que eles possam ser usados na distribuição dos produtos da empresa.

Por último, foi apresentado o projeto que transforma óleo de cozinha em sabão em barra. A STIHL doa o óleo utilizado pela empresa para o Grupo Mundo Mais Limpo, empreendimento de economia solidária de São Leopoldo que confecciona produtos de limpeza a partir da reciclagem de óleo vegetal utilizado.

Sobre a STIHL
A STIHL lidera o mercado brasileiro de ferramentas motorizadas portáteis, com um mix completo de produtos de alta qualidade e durabilidade. Com produtos destinados aos mercados florestal, agropecuário, de jardinagem e doméstico, a empresa oferece uma ampla linha de ferramentas motorizadas portáteis que podem ser encontradas em mais de 2,4 mil pontos de venda distribuídos pelo Brasil. No País, a STIHL está localizada em São Leopoldo (RS), onde trabalham cerca de 2 mil colaboradores. A matriz  do grupo fica na cidade de Waiblingen, na Alemanha. Reconhecida pela sua liderança tecnológica, inovação e qualidade de seus produtos, a empresa está presente em mais de 160 países por meio de canais de distribuição formados por mais de 38 mil pontos de vendas no mundo. Para atender ao mercado global, a STIHL conta com unidades produtivas na Alemanha, Brasil, EUA, Áustria, Suíça e China.

Economia Verde1

Com o crescimento latente de uma nova Economia Verde, os conceitos de valor e progresso adquirem sentido renovado. Porém as informações e indicadores sobre o retorno financeiro das iniciativas sustentáveis confirmam o interesse do setor privado nesta corrida do bem para sobrevivência no mercado. Vejamos alguns dados que comprovam.

Conforme Censo da GIFE (Grupo de Institutos Fundações e Empresas), 2012 

Das empresas que investem em meio ambiente:

Educação ambiental – 79%

Lixo, reciclagem, tratamento de resíduos e saneamento – 61%

O autor Bob Williard, 2008 sobre os ganhos da sustentabilidade:

Empresas grande porte: 33% de ganhos no curto e médio prazo

Empresas de médio e pequeno porte: até 68% de ganhos no curto e médio prazo

Motivos: aumento de produtividade, das facilidades de financiamento, das receitas e do valor de mercado, da atração e retenção de talentos e da redução de custos de produção, despesas em sites comerciais e de riscos.

Pesquisa Sentimento em Relação à Compra de Novos Produtos da NIELSEN

62% dos brasileiros gostam quando indústria coloca itens inéditos no mercado

53% se dispõem a pagar mais por artigos inovadores

Na América latina a média não passa de 28%

45% dos brasileiros compram com ainda mais facilidade se receberem amostra grátis

 Índice de Sustentabilidade Empresarial

Empresas listadas no ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial) da BM&FBovespa valorizaram-se 20,5% em 2012.

Enquanto o Ibovespa – índice que reúne 80% das empresas com maior liquidez de São Paulo – subiu 7,4%.

Perdas com desastres naturais

No Brasil de 2008 a 2011 desastres naturais custaram R$ 15 bilhões. No mundo, apenas em 2011, os desastres custaram perdas de quase R$ 370 bilhões. UNISDR (Escritório das Nações Unidas para a Redução de Riscos por Desastres)

Eric_Schmidt

Eric Schmidt, CEO do Google

A Ellen MacArthur Foundation anunciou que Eric Schmidt, CEO do Google, fará o discurso de abertura na noite de palestras e debates sobre Economia Circular, dia 19 de junho de 2013, no Royal Institution, Londres. A palestra será seguida por um painel de discussão, presidido por Dominic Waughray do Fórum Econômico Mundial, durante a qual os principais pensadores irão discutir os desafios e oportunidades para as empresas que fazem a transição para uma Economia Circular.

Os membros do painel incluem: Dayna Baumeister (Biomimética 3,8), o professor Michael Braungart (Erasmus University), William McDonough (McDonough Advisors), Jeremy Oppenheim (McKinsey & Company) e Professor Walter Stahel (Produto Life Institute).

“Para a aula inaugural, o programa Schmidt-MacArthur vai reunir os melhores especialistas do mundo e os fundadores da Economia Circular para uma noite de visões do futuro e debate de soluções orientadas. Temos a honra de anunciar que Eric Schmidt, presidente-executivo do Google, vai fazer o discurso de abertura, e que pensadores como Michael Braungart, Bill McDonough (Cradle to Cradle) e Walter Stahel (Product Life Institute) irão participar do painel de debate. Este primeiro evento, que marca o início de uma colaboração de 3 anos entre a Fundação da Família Schmidt  e a Fundação Ellen MacArthur, será realizado na prestigiosa Royal Institution da Grã-Bretanha – não poderia ter sonhado com um pontapé melhor para este inicio de parceria!” Afirmou Ellen MacArthur

Pesquisa da Universidade de Harvard concluiu que, no período estudado, as empresas sustentáveis deram muito mais lucro do que as não sustentáveis.

Por Jorge Abrahão*

Uma pergunta que sempre aparece nos debates sobre empresas e sustentabilidade é: empresa sustentável dá lucro? E, afinal, o que é uma empresa sustentável?

Muitos especialistas, consultorias e até órgãos da ONU já tentaram provar que sustentabilidade dá lucro. Mas, as respostas foram muito amplas, ou seja, mostraram o valor da biodiversidade ou das consequências das mudanças climáticas. Não chegaram ao cerne da questão, que é provar ao empresário que uma empresa sustentável não só garante licença para operar como dá lucro.

Pois um departamento da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, resolveu pesquisar as empresas para verificar se sustentabilidade dá lucro ou não. Harvard partiu da premissa de que empresa sustentável é aquela que tem uma “cultura de sustentabilidade” internalizada na estratégia e nas operações do negócio.

A conclusão: num período de 18 anos, uma empresa sustentável deu muito mais lucro do que uma empresa não sustentável.

Vamos ver como se chegou a essa conclusão.

Quantas empresas possuem cultura de sustentabilidade?

Para responder a essa pergunta, a universidade pesquisou as listas de vários índices de bolsas de valores e verificou quantas políticas sustentáveis as empresas listadas declaram.

Enumerou 27 políticas, entre ambientais, sociais e de governança, tais como: conduta ética perante os funcionários, a comunidade, fornecedores e clientes; adesão a pactos nacionais e internacionais de integridade; adoção de práticas promotoras da diversidade e da igualdade de oportunidades na empresa; respeito aos direitos humanos, tanto com empregados quanto com a comunidade e outros públicos de interesse; redução das emissões de carbono; programas de eficiência hídrica e energética; programa de reciclagem de resíduos; programa de inovação para diminuir consumo de recursos naturais; políticas para garantir liberdade de associação aos funcionários; e salários dignos.

Em seguida, Harvard selecionou empresas que tivessem instituídas pelo menos três dessas políticas entre 2003 e 2005, eliminando, de antemão, as instituições financeiras. Encontrou 675 empresas.

Para verificar quais delas realmente possuem uma “cultura corporativa de sustentabilidade”, Harvard estabeleceu um ranking dessas empresas, pela média ponderada das políticas de sustentabilidade adotadas. A ponderação foi feita pela quantidade de políticas existentes em relação ao tempo em que elas foram instituídas na empresa. Quanto mais políticas e mais tempo de instituição, melhor a posição no ranking. Para validar essa avaliação ponderada, a análise das empresas foi completada por dados retirados de relatórios, sites e outras publicações, bem como por entrevistas com executivos.

Estabelecido o resultado, Harvard dividiu as empresas em dois grupos de 90 empresas cada: o primeiro, com as 90 mais bem colocadas no ranking, foi denominado “Alta Sustentabilidade” e constituído por aquelas companhias que adotaram mais de dez das 27 políticas enumeradas, ainda nos anos 1990. O outro grupo, chamado “Baixa Sustentabilidade”, identificou aquelas corporações que adotaram menos de quatro políticas nos anos 2000 e nenhuma nos anos 1990.

Empresa de alta sustentabilidade tem desempenho melhor do que a de baixa sustentabilidade

Para verificar o desempenho das empresas, Harvard estudou o setor, o porte e a estrutura de capital de cada uma delas. Completou essa análise com os resultados de uma pesquisa feita em bolsas de valores, averiguando o desempenho obtido nos últimos 18 anos (entre 1992 e 2010).

O resultado foi o seguinte:

  • As 90 empresas de alta sustentabilidade apresentaram melhores taxas de retorno, num período de 18 anos;
  • O patrimônio de uma empresa de alta sustentabilidade valorizou 33 vezes em 18 anos; o de uma empresa de baixa sustentabilidade, 26 vezes.
  • O retorno de uma empresa de alta sustentabilidade em 2010 foi de sete vezes o valor investido em 1992; o de uma empresa de baixa sustentabilidade foi de 3,5 vezes.
  • Analisando a evolução do valor das empresas ano a ano, também é possível verificar que, mesmo em momentos de queda nas bolsas, a desvalorização das empresas de alta sustentabilidade foi significativamente menor do que a das empresas de baixa sustentabilidade.

Por que as empresas de alta sustentabilidade tiveram esse desempenho?

De acordo com Harvard, esse desempenho tem a ver com o perfil dessas empresas. Elas possuem uma governança distinta, baseada nos seguintes pressupostos:

  • Têm foco no engajamento de públicos de interesse (stakeholders).
  • Estabelecem processo de diálogo formal com esses públicos e, com isso:
    • Identificam os critérios de engajamento para cada público, bem como suas necessidades e demandas;
    • Conseguem levantar riscos e oportunidades para o negócio;
    • Reconhecem os públicos-chave para a empresa;
    • Treinam executivos para engajar esses públicos;
    • Criam valor compartilhado, por atender tais demandas;
    • Atuam com proatividade e transparência;
    • Orientam investimentos para o longo prazo, isto é, para processos, produtos e serviços de supram as demandas por qualidade e segurança socioambiental, além da financeira;
    • A sustentabilidade é responsabilidade expressa da diretoria;
    • Mantêm um comitê de sustentabilidade que tem por tarefa orientar os executivos quanto às políticas de sustentabilidade e resultados esperados, bem como estabelecer comunicação com os públicos de interesse;
    • O sistema de compensação da liderança está atrelado tanto ao desempenho financeiro quanto à consecução de metas não financeiras ligadas aos indicadores-chave das políticas de sustentabilidade;
    • Boa parte dos investidores ou acionistas é orientada pelos resultados de longo prazo;
    • A tomada de decisões é baseada em dados da concorrência e do mercado, bem como nas informações relativas a stakeholders, devidamente auditadas por firmas independentes.

Estudos como esse de Harvard mostram que a sustentabilidade dá lucro, ao contrário do senso comum atual. Quanto antes governos e empresas acordarem para essa realidade, mais rápido poderemos construir o desenvolvimento sustentável que desejamos.

Jorge Abrahão é presidente do Instituto Ethos.

Publicado originalmente em Instituto Ethos

Para serem bem sucedidos, os executivos da sustentabilidade devem ser capaz de “vender” seus projetos para os colegas, executivos e investidores. Isso, é claro, exige alta qualidade das métricas, incluindo a contabilidade para custos ambientais externos, como os impactos sociais da poluição ou o custo de limpeza de água contaminada para o uso industrial. Empresas sem métricas para esses fatores podem ignorar os riscos graves ou fazer suposições imprecisas sobre os custos de investimento.

lucro e sustentabilidadeUma empresa ativamente utilizando métricas ambientais é a Natura, empresa de cosméticos multinacional. A empresa trabalha com seus fornecedores para rastrear externalidades de preços como as emissões de dióxido de carbono, uso da água e geração de resíduos. A Natura, por sua vez, usa um “preço sombra” para estes fatores para selecionar os fornecedores com a  pegada mais leve, que irá também criar benefícios financeiros.

Novas técnicas de gestão

Os verdadeiros líderes da mudança são os únicos com a clarividência de entender que a gestão dos riscos e usos dos recursos naturais realmente importa. Como Warren Buffet disse uma vez: “Alguém está sentado na sombra hoje porque alguém plantou uma árvore há muito tempo.”

É encorajador ver que algumas empresas já estão reconhecendo que a gestão e mitigação de riscos ambientais podem ajudar a cortar custos e ampliar seus lucros. Serão necessários esforços enormes para proteger o planeta e impulsionar resultados financeiros. Mais empresas precisam começar a repensar técnicas tradicionais de gestão e integrar a sustentabilidade em suas operações de negócio.

Trecho final da reportagem do jornal inglês The Guardian escrito pelo presidente do World Resources Institute, Dr. Andrew Steer

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Pobreza extrema deve ser motivada também por degradação do planeta.
Estima-se que mais de 3 bilhões vivam na miséria nos próximos 37 anos.

Apesar dos investimentos de vários países em energias renováveis e sustentabilidade, o mundo pode viver uma “catástrofe ambiental” em 2050, segundo o Relatório de Desenvolvimento Humano 2013, apresentado nesta quinta-feira (14) pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).

Imagem: WWF Brasil

Imagem: WWF Brasil

Ao fim dos próximos 37 anos, são estimadas mais de 3 bilhões de pessoas vivendo em situação de extrema pobreza, das quais pelo menos 155 milhões estariam na América Latina e no Caribe. E essa condição demográfica e social seria motivada também pela degradação do meio ambiente e pela redução dos meios de subsistência, como a agricultura e o acesso à água potável.

De acordo com a previsão de desastre apresentada pelo relatório, cerca de 2,7 bilhões de pessoas a mais viveriam em extrema pobreza em 2050 como consequência do problema ambiental. Desse total, 1,9 bilhão seria composto por indivíduos que entraram na miséria, e os outros 800 milhões seriam aqueles impedidos de sair dessa situação por causa das calamidades do meio ambiente.

No cenário mais grave, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) global diminuiria 15% em 2050, chegando a uma redução de 22% no Sul da Ásia (Índia, Paquistão, Sri Lanka, Nepal, Bangladesh, Butão e Maldivas) e de 24% na África Subsaariana (todos os países ao sul do Deserto do Saara).

pobreza

Mudanças climáticas e pressões
As mudanças climáticas e as pressões sobre os recursos naturais e ecossistemas têm aumentado muito, independentemente do estágio de desenvolvimento dos países, segundo o relatório. E o texto também destaca que, a menos que sejam tomadas medidas urgentes, o progresso do desenvolvimento humano no futuro estará ameaçado.

O Pnud aponta, ainda, que os protestos em massa contra a poluição ambiental têm crescido em todo o mundo. Por exemplo, manifestantes em Xangai, na China, lutaram por um duto de águas residuais (provenientes de banhos, cozinhas e uso doméstico em geral) prometido, enquanto na Malásia moradores de um bairro se opuseram à instalação de uma refinaria de metais de terras raras – 17 metais conhecidos como “ouro do século 21”, por serem raros, valiosos e de grande utilidade.

O relatório reforça também que as principais vítimas do desmatamento, das mudanças climáticas, dos desastres naturais e da poluição da água e do ar são os países e as comunidades pobres. E, para o Pnud, viver em um ambiente limpo e seguro deve ser um direito, não um privilégio. Além disso, sustentabilidade e igualdade entre os povos estão intimamente ligadas.

Desastres naturais em alta
Além disso, de acordo com o texto divulgado nesta quinta-feira, os desastres naturais estão se intensificando em todo o mundo, tanto em frequência quanto em intensidade, causando grandes danos econômicos e perdas humanas.

Apenas em 2011, terremotos seguidos de tsunamis e deslizamentos de terra causaram mais de 20 mil mortes e prejuízos aos EUA, somando US$ 365 bilhões (R$ 730 bilhões) e 1 milhão de pessoas sem casas.

O impacto mais severo foi para os pequenos países insulares em desenvolvimento, alguns dos quais sofreram perdas de até 8% do PIB. Em 1988, Santa Lucía – localizado nas Pequenas Antilhas, no Caribe – perdeu quase quatro vezes seu Produto Interno Bruto (PIB) por causa do furacão Gilbert, enquanto Granada – outro país caribenho – perdeu duas vezes o PIB em decorrência do furacão Iván, em 2004.

degradação ambiental

Desafios mundiais
O relatório do Pnud ressalta, ainda, que os governos precisam estabelecer acordos multilaterais e formular políticas públicas para melhorar o equilíbrio das condições de vida, permitir a livre expressão e participação das pessoas, administrar as mudanças demográficas e fazer frente às pressões ambientais.

Um dos grandes desafios para o mundo, segundo o texto, é reduzir as emissões de gases que provocam o efeito estufa. Apesar de os lançamentos de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera parecerem aumentar com o desenvolvimento humano, essa relação é muito fraca, destaca o Pnud. Isso porque, em todos os níveis de IDH, alguns países equivalentes têm uma maior emissão de CO2 que outros.

Além disso, pode haver diferenças grandes entre as províncias ou estados de um mesmo país, como é o caso da China. Esses resultados, de acordo com o relatório, reforçam o argumento de que o progresso humano não demanda um aumento no uso de CO2, e que políticas ambientais melhores poderiam acompanhar esse desenvolvimento.

Segundo o Pnud, alguns países já têm se aproximado desse nível de desenvolvimento, sem exercer uma pressão insustentável sobre os recursos ecológicos do planeta. Mas responder globalmente a esse desafio exige que todas as nações adaptem suas trajetórias.

Os países desenvolvidos, por exemplo, precisam reduzir a chamada “pegada ambiental”, ou seja, quanto cada habitante polui o planeta (como se fosse um PIB do meio ambiente). Já as nações em desenvolvimento devem aumentar o IDH, mas sem elevar essa pegada. Na visão do Pnud, tecnologias limpas e inovadoras podem desempenhar um papel importante nesse processo.

Mas, para reduzir a quantidade necessária de emissões de gases de efeito estufa, os países dos hemisférios Norte e Sul têm que chegar a um acordo justo e aceitável para todos, como compartilhar as responsabilidades, informa o relatório.

Acordos e investimentos
Na Rio+20, Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável, realizada no Rio de Janeiro em junho de 2012, foi negociado entre os governos da região da Ásia e do Pacífico um acordo para proteção do maior recife de corais do mundo, o chamado Triângulo de Coral, que se estende desde a Malásia e a Indonésia até as Ilhas Salomão. A área é responsável por fornecer o sustento para mais de 100 milhões de pessoas.

Além disso, alguns países estão trabalhando juntos na bacia do Rio Congo para combater o comércio ilegal de madeira e preservar o segundo maior território florestal do mundo. Bancos regionais de desenvolvimento também apresentaram uma iniciativa que conta com US$ 175 bilhões (R$ 350 bilhões) para promover o transporte público e ciclovias em algumas das principais cidades do mundo.

Outra parceria envolve a China e o Reino Unido, que vão testar tecnologias avançadas de combustão de carvão. Já os EUA e a Índia firmaram um acordo para o desenvolvimento de energia nuclear na Índia.

Alguns países também estão desenvolvendo e compartilhando novas tecnologias verdes. A China, o quarto maior produtor de energia eólica do mundo em 2008, é também a maior fabricante global de painéis solares e turbinas para geração de energia pelo vento. E, na Índia, os investimentos em energia solar aumentaram 62% em 2011, chegando a US$ 12 bilhões (R$ 24 bilhões) – os maiores do planeta. Já o Brasil elevou seus investimentos tecnológicos para energias renováveis em 8%, chegando a US$ 7 milhões (R$ 14 milhões).

Promessas
Até 2020, a China também prometeu cortar suas emissões de dióxido de carbono por unidade de PIB em 40% a 45%. E, em 2010, a Índia anunciou reduções voluntárias de 20% a 25%. Além disso, no ano passado, políticos coreanos aprovaram um programa para reduzir as emissões de fábricas e usinas de energia.

Na Rio+20, Moçambique anunciou ainda uma nova rota de economia verde. E o México promulgou recentemente uma lei para reduzir as emissões de CO2 e apostar em energias renováveis.

No Fórum de Bens de Consumo da Rio+20, as empresas Unilever, Coca-Cola e Wal-Mart – classificadas entre as 20 melhores multinacionais do mundo – também prometeram eliminar o desmatamento de suas cadeias de abastecimento.

Além disso, a Microsoft prometeu que em 2012 se tornaria nula em emissões de carbono. E a companhia Femsa, que engarrafa bebidas – como a Coca-Cola – na América Latina, manifestou que obteria 85% de suas necessidades energéticas no México a partir de recursos renováveis.

Mas, apesar de muitas iniciativas promissoras, ainda existe ainda uma grande diferença entre as reduções de emissões necessárias e essas modestas promessas, destaca o Pnud.

Texto publicado originalmente em Globo Natureza